O calor devasta a cidade, causando…
Sentimos o desconforto suar pela nossa pele, colando-nos os trajes, eclipsando a nossa vontade.
Sentimo-nos desvancer, o prazer, a paciencia… serem baixas na luta pela sanidade.
Transformamo-nos…
Limites desaparecem, e de um certo modo também nós.
O tempo funde-se, passando apenas a existir.
A tua voz soa distante, ecoando apenas no meu silencio dilacerador.
Vejo-te tentar, o meu silencio.
Vejo-te lutar, o meu silencio.
Desistir…
O apatico silencio instala-se, afastando-nos.
Vejo a tua lágrima congelar a tua emoçäo, abandonando-nos, desistindo.
Volto no tempo que parece congelado.
Entro e tudo parece abrandar, desprovido de cor.
Vejo, qual farol, o vermelho espalhando-se pela agua, contaminando-a com a tua vida…
Focos de cor nos teus pulsos expiram um ultimo sopro, diluindo-se na eternidade.
Abro a minha boca e grito, preenchendo o vazio com o silencio.
A lágrima consome o resto de minha humanidade, toldando-me o semblante.
Se o tempo existisse…
Eu podia…
A ti…
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Mãe.
Nasceu o sol e tu com ele, brilhando a seu lado aumentando o seu calor.
Lentamente observo o crescimento do teu ser, resplandecendo de energia e amor.
Observo-o crescer. Crescer em outro ser. Crescer da fusão em união.
Crecer amado e brilhante, sentindo o teu calor a protege-lo, aquece-lo, dando-lhe forma…
O teu calor cresce, amadurecendo o teu amor, espalhando-o pelos que te rodeiam.
Brilhas, brilhas intensamente, guiando-me no meu caminho, orientando o meu ser, fazendo-me crescer.
Como o sol lá no alto, o teu brilho deu-nos mais, brilhou tão intensamente que dele outro ser criou.
Pequeno, frágil, amado… tambem a ele lhe deste a tua dádiva, fazendo-o crescer, brilhar, amar.
Sentimos o teu calor, a tua luz, guiando-nos, fazendo-nos maiores. Luz.
Luz dessa chama que te consome, que te dá esse calor que espalhas, que nos aquece o coracao.
Vejo-te ainda a brilhar tão intensamente como no dia em que nasceste e espalhando esse manto de luz para nos proteger.
Luz. A luz certa comeca a tremer… Tremer o seu manto.
Nós a quem tanto nos aqueceste, observamos… Notamos a chama termula… E sem exitar estendemos o nosso manto,
tambem este teu, para completar a tua chama.
E ela brilha novamente plena, plena de forca e calor, estendendo o seu calor, tocando-nos, abraçando-nos…
Observamos todo o seu explendor, brilhando sempre mais…
Obrigado!
Mãe.
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Filho.
Ventre da Mãe, semente do Pai.
Filho.
Do Homem e da Mulher.
Meu filho, nosso filho…
Com a dor trouxeste a alegria.
Com a dor trouxeste o amor.
Frágil e indefeso sorrias para nós confiante da tua força, do nosso amor.
O corpo muda com o toque da vida e cresces.
Lentamente levantas-te dando passos para o futuro, trazendo receio.
Falas.
Chamas a mulher, Mãe.
Chamas o homem, Pai.
Chamas o mundo… E para ele, vives.
Aproximas-te do futuro a cada passo.
Um riso, uma caricia, uma lagrima, uma palmada!
Longo e sinuoso é o caminho, dúvidas e incertezas, prazeres e alegrias.
Nosso filho.
Iluminamos o caminho, distinguindo o bem e o mal.
Partilhando a alegria e a tristeza.
Estamos aqui para te ver…
Para te sentir…
Para ti.
Estamos aqui para te libertar.
Filho.
Nosso Filho…
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Sentado na cadeira no quarto ouço a chuva acariciar as árvores.
A escuridão da noite rodeia-me, cegando-me para a realidade.
Relâmpago!
Um clarão de luz verte pela janela, revelando-te a mim.
Nunca te tinha observado enquanto dormias.
Por um breve momento vejo o teu corpo estendido, os lençóis negros de seda, o teu cabelo…
Este preguiçosamente cobre-te a face, o pescoço, escondendo os teus segredos do meu olhar.
Relâmpago!
Outro clarão, a luz reveladora.
Revelando a tua face, os teus lábios, a tua silhueta debaixo do lençol…
Observo-os abrirem sincronizadamente com a respiração preguiçosa do teu corpo, movimentando os lençóis, revelando-me as tuas promessas…
Aproximo-me de ti, deitando-me a teu lado.
Gentilmente, com as costas da mão, acaricio o teu rosto, o teu pescoço, o teu lado.
Relâmpago!
Vejo o seu reflexo nos teus olhos, chamando por mim.
O beijo, quando os meu lábios se juntam aos teus numa promessa muda, trocando votos enquanto te aconchego junto a mim.
O lençol de seda desliza lentamente pelo teu corpo, tentando-me…
Sigo o seu rasto com os meus lábios, desenhando os seus contornos sinuosos com a ponta da minha língua. O teu pescoço, o teu seio, a tua barriga, as tuas coxas…
Gemes…
Trovão!
Os meus sentidos acordam!
Sentado na cadeira no quarto.
Tu não estás aqui…
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Ao invadir o teu quarto, a luz da manha espalha seu manto pelo teu corpo, iluminando o teu rosto, os teus lábios
Esta estende lentamente o seu domínio, brincando com as sombras, iluminando o preguiçosamente o teu corpo…
O pescoço, o ombro… e vejo uma gota brilhar.
Lentamente aproximo-me dele, beijo-o, saboreando a tua doce ternura…
Contorces-te preguiçosamente, entreabrindo lentamente os lábios… balbucias algo, e sorris.
Agora toda a magia da luz matinal envolve já o teu corpo, fazendo-o resplandecer.
É agora a minha vez de sonhar…
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Com o raiar do dia desperto os meus sentimentos,
lentamente entreabro os olhos, deixando entrar a manha…
Esta ilumina languidamente os teus contornos,
revelando os teus segredos, expondo a minha paixão.
E naquele breve instante eu sei… Sei porque estou ali.
Estico preguiçosamente o braço, sentindo-te… Sentindo-me.
Sinto o teu ser iluminar o meu, completando-o.
Sinto-os unirem-se, comungando a alma.
Abro os olhos e vejo-te. Vejo-me…
E toda a eternidade nesse breve instante.
Eu sei…
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O dia esvanece, levando consigo o último raio de luz, trazendo as sombras esguias.
Tento manter-te no meu olhar, mas a escuridão rouba-te de mim…
Grito… Por ti, acordando a lua do seu repouso.
Lentamente esta espalha o seu manto ofuscante sobre as tuas sombras, devolvendo-te ao meu olhar, retornando ternura à minha alma…
A sua luz cobre a minha tentação, revelando o teu desejo…
Lentamente deslizo a minha mão pelos teus pés, seguindo as tuas coxas, encontrando tuas costas…
A sua luz acompanha os meus movimentos como se dançasse comigo… Dançando para ti…
Acaricio-te lentamente o rosto, despertando os teus olhos…
Observo o luar iluminando-os, lentamente revelando-me a tua alma…
Doce e amarga… Alguma tristeza, uma lágrima… Deslizando no teu rosto…
Aproximo-me, toco os teus lábios… Passo os meus dedos por eles, lendo as suas palavras…
Sinto a tua inquietação… E abraço-te firmemente, trazendo-te para perto de mim, envolvendo-te, sonhando-te…
E caindo nos teus braços, sinto a luz da lua afastar-se devolvendo-nos às sombras…
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Ontem.
Quase sentia o calor, juntando-se ao meu, alimentando-te.
Um mês.
Um beijo nos teus lábios encerraram as minhas promessas.
Ontem.
Sonhei o teu toque, percorrendo o meu corpo, acordando o desejo, revivendo a dor.
Um mês.
Vi o teu sorriso iluminando o olhar, elevando-me com ele, fazendo-me contigo.
Ontem.
Chorei e senti o frio gélido da lágrima dilacerar a minha alma
Um mês.
Um mês ontem, que te levaram de mim, que vi o sorriso fugir dos teus olhos, a vida dos teus lábios, o teu calor de mim…
Ontem um mês, que aquele som ecoou pela noite e entrou na minha vida, preenchendo-a, ocupando-a, destruindo-a!
Um mês.
Ontem.
Hoje.
Vejo o teu sorriso, sinto os teus lábio, banho-me no teu calor.
Hoje.
Morri.
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Rebolo incessantemente na cama sem que lhe encontre posição.
Impacientemente sento-me, e observo a escuridão lá fora.
Levanto-me… Passadas rápidas precipitam-me para a janela, procurando…
Procuro uma razão lógica para tudo, tentando fazer nexo da realidade.
Abro os olhos, mas nem sempre pensamos… Dor…
O frio da noite dilacera os rasgos do vidro,
arrefecendo o sangue que se esvai juntamente com a minha sanidade.
Sinto a raiva aumentar, escuridão dá lugar à cegueira,
o punho cerrado expulsa os vidros.
Sinto-me estranhamente familiar, sinto-o tomando conta de mim.
Nada mais existe. Não o sangue a pingar, não a noite gélida, não a humanidade…
Apenas a dor, adormecendo os sentidos, despertando a raiva!
E eis que sinto, sinto os teus dedos nos meus cabelos, puxando-me para ti.
Olho-te nos olhos, não os vejo, não te vejo.
Sinto os teus lábios, o seu calor, este a ser sugado pela minha raiva, assustando-te, afastando-te…
Apenas dor, corrompendo.
Apenas dor, acordando.
Apenas dor…
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Hoje chove…
Tal chuva de verão, aclarando as ideias e refrescando a alma.
Andando no seu seio, banho-me na sua pureza…
Sinto-me flutuar elevado pelos seus sons, pelos seus aromas.
As gotas a cair abanando as folhas, acariciando as petalas, molhando a terra,
levantando os seus aromas; relva aparada, jasmim na berma, rosas no jardim, a terra molhada.
Preguiçosamente uma brisa levanta-se, cercando a minha passagem,
arrefecendo o trajecto da chuva deixado no meu rosto.
Sinto um mundo, abrindo-se, abraçando-me, revelando-se,
mas o queria sentir, eclipsando os sentidos, abafando os desejos, nao consigo…
A ti…
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