Uma noite anunciada

Abril 27, 2009 at 4:41 pm (Noite, Saudade)

Um dia como os outros e uma noite anunciada.
Sento-me a teu lado, e ouço…
a tua respiração, o teu calor.
Agarro a tua mão e abraço os teus dedos.
Sinto a tua dor…

Centenas de vezes murmuro o meu amor…
Para te alimentar, para te aquecer, para me esquecer.
Esboças um sorriso, enchendo-me o coração.
Ouço o teu olhar dizer palavras sem voz
gravando-as na minha alma.

Seguindo o tempo, a noite segue o dia, o frio segue o calor.
Sento-me a teu lado, e ouço…
O silêncio do tempo, o frio do teu abraço.
Os teus olhos não mais falam, apenas o silêncio, apenas o vazio
Sinto a minha dor…

Sinto a minha dor.

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Palavras.

Fevereiro 12, 2009 at 12:11 pm (Geral, Manha, Paixão, Saudade) (, , )

Nunca te disse.
Nunca te disse.
As palavras ficam sempre no caminho, presas num sargaço de emoções e receios.
Tento dizer-te…

O meu olhar grita para ti num pedido de auxilio, prendendo as lágrimas nas garras do orgulho.
Olho para ti e vejo-te…
Olha para ti e sinto-te…
Olho em redor e sinto o muro crescer, protegendo-me do resto, de ti.
Tento dizer-te…
Tenho que te dizer!

Tenho que te dizer.
Dizer que te adoro.
Que gosto do modo como me complementas, como os teu olhos sorriem na minha presença.
Que gosto de como idade não passa aos teus olhos, de como a idade não passa aos meus olhos.
Do toque da tua pele, do teu toque na minha pele.
Dos filhos que me deste, do filho que me vais dar.
De ti!

De como gosto de ti.
Gosto de ti.
De ti.

Apenas Palavras.

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Sentido – Cinco

Outubro 23, 2008 at 9:25 am (Paixão) (, , , )

O nevoeiro cobre o teu corpo, ocultando-te.
Sinto o irisar dos teus pelos nos meus lábios enquanto percorro o teu corpo quente.
Subindo vagarosamente, ilumino os teus sentidos.
O teu gosto toma conta de mim.
Domina-me.
Resisto!

Continuo o meu percurso, seguindo o meu desejo, o teu desejo…
Palavras quentes desenhadas pela língua, abrem caminhos esquecidos no tempo, recordando as minhas promessas.
Ao meu toque revelas-me o caminho, oferecendo-me o teu néctar…
Vejo gotas, qual orvalho oferecendo-se à manhã, estendendo-se no meu percurso.
Sigo-as.
Sorris.

Delicadamente acolho-as no meu palato, movendo a língua preguiçosamente na tua intimidade.
Deuses guerrearam por sabores inferiores.
Agarras-me o cabelo, puxando-me para ti.
Sinto-te.
Continuo-o o meu percurso sinuoso, saboreando todo o caminho.
Escuto ao longe um bater rápido de um coração apaixonado.
Rapidamente aproximo-me, paro!
Inebriado pelo seu som hipnótico, repouso no seu eco.
Resisto!

Num ultimo sopro de paixão, navego até aos teus lábios.
Apaixonadamente amo-os, saboreando as tuas promessas, saboreando-te…
Perco-me…
Dominas-me.
Rendo-me…

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Sentido – Quatro

Setembro 5, 2008 at 11:35 am (Geral)

De olhos vendados, guias-me num labirinto de sentidos.
Os teus toques subtis vão-me guiando por entre um emaranhado e emoções.
Paras.
Sentido-me perdido sem o teu toque tento alcançar-te, sem sucesso.

Toque.

Sinto as tuas mãos percorrem suavemente o meu rosto… O meu pescoço… As minhas costas…
Descendo sinuosamente, os teus dedos descrevem promessas.

Sinto.

O calor do teu toque irradia na minha pele, abraçando-me…
Abraças-me.
Sinto a tua pele, os teus seios, a tua paixão…
Dedos percorrem o meu peito, beliscando-me.
Tento escapar, e sinto a tua voz no meu pescoço, fazendo promessas numa língua que não percebo mas entendo.

Seduzido.

Retiras a minha venda e contemplo todo o esplendor da tua aparência mediterrânica.
Estendo a mão e sinto o alvo da tua tez, a paixão dos teus lábios, a textura dos teus cabelos …
Por uma eternidade perco-me nos teus olhos…
Atraído pelos teus lábios, comungo o teu desejo.
O som de uma campainha irrompe o nosso abraço.

Telefone.

Abro os olhos e atendo.
Ontem.
Só.

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Sentido – Três

Setembro 3, 2008 at 2:53 pm (Noite, Paixão) (, )

A noite irrompe num turbilhão de sons eclipsando o dia, esvanecendo-o.
Esvoaçando por entre a sinfonia de caos, o som cristalino da tua voz restaura a ordem aos meus sentidos.
Partilhas comigo palavras de desejo, de paixão, do futuro…
Respondo, mas esta funde-se na sinfonia, abafando as minhas promessas.

Como choques entre galáxias, o fogo de artificio sobrepõe o caos, envolvendo-o num aperto fatal, restaurando a ordem.
A paixão da sinfonia dá lugar ao respeito do silencio.

A noite é una.

O som cristalino da tua voz rasga o seu tecido, pendendo-me à sua teia, seduzindo-me qual Tágide.
A teia completa o seu abraço.
Sinto os teus lábios silenciarem os meus gestos, soterrando a minha suplica.

Uma lágrima.
Um aperto.
… Sou teu.

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Sentido – Dois

Agosto 28, 2008 at 4:15 pm (Manha, Saudade) (, , )

E ela aparece como uma promessa anunciada, salpicando tudo em volta.
Envolvendo-nos lentamente, a chuva acaricia o nosso redor.
Suavemente os aromas começam a conquistar-nos, até que…

Trovão!
E tudo à nossa volta se eclipsa, ficando apenas a sedutora fragrância do enxofre, preenchendo-nos.

Terra…
Como uma trepadeira preguiçosa, o seu aroma molhado expulsa o agreste Trovão seduzindo-nos com o seu tom…

Erva.
Apaixonada pela chuva começa a libertar-se, tomando conta da Terra.
Sinto o seu corte recente…

Rosas.
Como uma caricia, envolve-nos, adocicando-nos os sentidos.
Fecho os olhos e sinto as suas cores, fundindo-se numa paleta de aromas…

Inebriado pela vida, começo a sentir…
Lentamente o teu aroma invade-me, dominando-nos.
Memorias da tua tez, dos teus cabelos, dos teus lábios…
Sinto a tua presença, o teu calor…
Estás aqui!

Abro os olhos e chove.
Lágrimas…

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Sentido – Um

Agosto 26, 2008 at 4:41 pm (Noite, Paixão) (, , )

A escuridão absorve-me, abraçando-me, estendendo-me ao infinito.
Violentamente um relâmpago alvo estilhaça-me os sentidos, cegando-me.
Nessa infinita fracção de segundo vejo-te…
Choras.

A escuridão absorve-me de volta.
Observo desesperadamente o meu redor em busca de uma presença, de uma centelha, de ti…
Relâmpago!
Sentada na cama a olhar para mim, observas-me.
Vejo o vermelho nos teus olhos…
Cor.
Escuridão.

Relâmpago!
Vermelho.
Os teus olhos.
Lágrima…

Escuridão!
De volta, os sentidos moldam a realidade.
Lembro-me…
De ti, de nós, do relâmpago.
Escuridão.
Lembro-me…

Choro.

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Presente…

Agosto 25, 2008 at 11:58 pm (Noite, Paixão) (, , , )

Como todas as coisas, o dia chega ao fim.
Contemplando o ocaso, sinto o peso da vida esvoaçar para longe.
A brisa acaricia-me como um ultimo sopro e carrega-me no seu colo…
Tudo perde significado, tudo perde objectividade, tudo se perde…
O dia funde-se com a noite, o passado com o futuro, luz com a escuridão, apenas um, uno…

Uno…

Fomos e seremos, mas o presente ilude-nos, afastando-nos.
O brilho da centelha funde-se com a escuridão, reflectindo o vazio no teu olhar.
Ontem a chuva ensurdecia os nossos actos, tentando adiar o presente…
Mutuamente excluímos o passado e apagamos o futuro, juntos, uno…

Vazio.

Silencio sobrepõe palavras, lágrima sobrepõe raiva e o vazio sobrepõe…
Vejo as pessoas aproximarem-se, cada vez mais perto, sinto-as…
Fecho os olhos e a brisa murmura-me promessas.
E num breve instante tudo termina.
Não há mais som, luz, presente… Apenas vazio, uno…

Vazio.

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Para ti…

Julho 9, 2008 at 10:38 pm (Noite, Paixão, Saudade)

O calor devasta a cidade, causando…

Sentimos o desconforto suar pela nossa pele, colando-nos os trajes, eclipsando a nossa vontade.
Sentimo-nos desvancer, o prazer, a paciencia… serem baixas na luta pela sanidade.
Transformamo-nos…
Limites desaparecem, e de um certo modo também nós.
O tempo funde-se, passando apenas a existir.

A tua voz soa distante, ecoando apenas no meu silencio dilacerador.
Vejo-te tentar, o meu silencio.
Vejo-te lutar, o meu silencio.
Desistir…
O apatico silencio instala-se, afastando-nos.
Vejo a tua lágrima congelar a tua emoçäo, abandonando-nos, desistindo.

Volto no tempo que parece congelado.
Entro e tudo parece abrandar, desprovido de cor.
Vejo, qual farol, o vermelho espalhando-se pela agua, contaminando-a com a tua vida…
Focos de cor nos teus pulsos expiram um ultimo sopro, diluindo-se na eternidade.
Abro a minha boca e grito, preenchendo o vazio com o silencio.
A lágrima consome o resto de minha humanidade, toldando-me o semblante.
Se o tempo existisse…
Eu podia…

A ti…

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Mãe

Maio 22, 2008 at 11:47 pm (Manha, Saudade) (, , )

Mãe.

Nasceu o sol e tu com ele, brilhando a seu lado aumentando o seu calor.
Lentamente observo o crescimento do teu ser, resplandecendo de energia e amor.
Observo-o crescer. Crescer em outro ser. Crescer da fusão em união.
Crecer amado e brilhante, sentindo o teu calor a protege-lo, aquece-lo, dando-lhe forma…
O teu calor cresce, amadurecendo o teu amor, espalhando-o pelos que te rodeiam.
Brilhas, brilhas intensamente, guiando-me no meu caminho, orientando o meu ser, fazendo-me crescer.
Como o sol lá no alto, o teu brilho deu-nos mais, brilhou tão intensamente que dele outro ser criou.
Pequeno, frágil, amado… tambem a ele lhe deste a tua dádiva, fazendo-o crescer, brilhar, amar.
Sentimos o teu calor, a tua luz, guiando-nos, fazendo-nos maiores. Luz.
Luz dessa chama que te consome, que te dá esse calor que espalhas, que nos aquece o coracao.
Vejo-te ainda a brilhar tão intensamente como no dia em que nasceste e espalhando esse manto de luz para nos proteger.
Luz. A luz certa comeca a tremer… Tremer o seu manto.
Nós a quem tanto nos aqueceste, observamos… Notamos a chama termula… E sem exitar estendemos o nosso manto,
tambem este teu, para completar a tua chama.
E ela brilha novamente plena, plena de forca e calor, estendendo o seu calor, tocando-nos, abraçando-nos…
Observamos todo o seu explendor, brilhando sempre mais…

Obrigado!

Mãe.

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