Memoria.
Sentado na cadeira no quarto ouço a chuva acariciar as árvores.
A escuridão da noite rodeia-me, cegando-me para a realidade.
Relâmpago!
Um clarão de luz verte pela janela, revelando-te a mim.
Nunca te tinha observado enquanto dormias.
Por um breve momento vejo o teu corpo estendido, os lençóis negros de seda, o teu cabelo…
Este preguiçosamente cobre-te a face, o pescoço, escondendo os teus segredos do meu olhar.
Relâmpago!
Outro clarão, a luz reveladora.
Revelando a tua face, os teus lábios, a tua silhueta debaixo do lençol…
Observo-os abrirem sincronizadamente com a respiração preguiçosa do teu corpo, movimentando os lençóis, revelando-me as tuas promessas…
Aproximo-me de ti, deitando-me a teu lado.
Gentilmente, com as costas da mão, acaricio o teu rosto, o teu pescoço, o teu lado.
Relâmpago!
Vejo o seu reflexo nos teus olhos, chamando por mim.
O beijo, quando os meu lábios se juntam aos teus numa promessa muda, trocando votos enquanto te aconchego junto a mim.
O lençol de seda desliza lentamente pelo teu corpo, tentando-me…
Sigo o seu rasto com os meus lábios, desenhando os seus contornos sinuosos com a ponta da minha língua. O teu pescoço, o teu seio, a tua barriga, as tuas coxas…
Gemes…
Trovão!
Os meus sentidos acordam!
Sentado na cadeira no quarto.
Tu não estás aqui…
Manhã.
Ao invadir o teu quarto, a luz da manha espalha seu manto pelo teu corpo, iluminando o teu rosto, os teus lábios
Esta estende lentamente o seu domínio, brincando com as sombras, iluminando o preguiçosamente o teu corpo…
O pescoço, o ombro… e vejo uma gota brilhar.
Lentamente aproximo-me dele, beijo-o, saboreando a tua doce ternura…
Contorces-te preguiçosamente, entreabrindo lentamente os lábios… balbucias algo, e sorris.
Agora toda a magia da luz matinal envolve já o teu corpo, fazendo-o resplandecer.
É agora a minha vez de sonhar…
Só…
Com o raiar do dia desperto os meus sentimentos,
lentamente entreabro os olhos, deixando entrar a manha…
Esta ilumina languidamente os teus contornos,
revelando os teus segredos, expondo a minha paixão.
E naquele breve instante eu sei… Sei porque estou ali.
Estico preguiçosamente o braço, sentindo-te… Sentindo-me.
Sinto o teu ser iluminar o meu, completando-o.
Sinto-os unirem-se, comungando a alma.
Abro os olhos e vejo-te. Vejo-me…
E toda a eternidade nesse breve instante.
Eu sei…