Um oceano numa gota.
Gota a gota a vida junta-se na nascente, crescendo lentamente. Um fio ténue começa o seu caminho, descendo da montanha.
Pelo caminho o fio aumenta, e por onde passa absorve sentimentos, experiências e cresce…
O fio torna-se um braço, e o percurso muda. A suave descida transforma-se, e o que era simples, enche-se de zonas acidentadas mas faz tudo parte da descida.
O braço cresce e pelo caminho junta-se com outros braços, até que um dia, um braço diferente dos outros lhe dá um corpo, e juntos, unos, continuam a descida.
O corpo cresce, e fortalece-se. Acalmias e rápidos e a vida continua, descendo o leito.
Fortalecido e cheio de amor, gota a gota outro fio nasce do seu corpo, e lentamente, flui a seu lado.
Juntos o corpo cresce, aprendendo, moldando o leito na descida. E novamente o processo repete-se, forte e repleto de amor, gota a gota, outro fio nasce, e acompanha-os a seu lado.
Juntos ao corpo, os fios crescem e juntos ganham força e união.
Crescem e um dia separam-se em afluentes próprios, desenhando mais ramos no leito da vida.
O tempo passa e o leito fica irregular. Pedras vindas da montanha, atingem o corpo, agitando-o, e lentamente ele começa esmorecer.
Primeiro um e depois o outro, o leito dificulta a sua passagem, a sua união. Mais pedras caem, e estas estreitam os braços. A viagem torna-se mais turva, e o percurso mais sinuoso.
Os afluentes juntam-se, tentando dar mais consistência ao corpo, juntando a força, juntando o amor.
O corpo contrai-se, e lentamente sofre. Os afluentes apertam, mas o dano não é reparável.
Lentamente desce o resto do seu curso, fraco e instável, mas sempre acompanhado.
No fim todos desaguam no mesmo mar, no fim da montanha, onde estarei à tua espera. Terminaremos a viagem juntos, e guiar-te-ei na passagem.
Um dia de cada vez, gota a gota, fazendo um oceano.
Apenas o amanhã.
Apenas nós.