Palavras.
Nunca te disse.
Nunca te disse.
As palavras ficam sempre no caminho, presas num sargaço de emoções e receios.
Tento dizer-te…
O meu olhar grita para ti num pedido de auxilio, prendendo as lágrimas nas garras do orgulho.
Olho para ti e vejo-te…
Olha para ti e sinto-te…
Olho em redor e sinto o muro crescer, protegendo-me do resto, de ti.
Tento dizer-te…
Tenho que te dizer!
Tenho que te dizer.
Dizer que te adoro.
Que gosto do modo como me complementas, como os teu olhos sorriem na minha presença.
Que gosto de como idade não passa aos teus olhos, de como a idade não passa aos meus olhos.
Do toque da tua pele, do teu toque na minha pele.
Dos filhos que me deste, do filho que me vais dar.
De ti!
De como gosto de ti.
Gosto de ti.
De ti.
Apenas Palavras.
Sentido – Dois
E ela aparece como uma promessa anunciada, salpicando tudo em volta.
Envolvendo-nos lentamente, a chuva acaricia o nosso redor.
Suavemente os aromas começam a conquistar-nos, até que…
Trovão!
E tudo à nossa volta se eclipsa, ficando apenas a sedutora fragrância do enxofre, preenchendo-nos.
Terra…
Como uma trepadeira preguiçosa, o seu aroma molhado expulsa o agreste Trovão seduzindo-nos com o seu tom…
Erva.
Apaixonada pela chuva começa a libertar-se, tomando conta da Terra.
Sinto o seu corte recente…
Rosas.
Como uma caricia, envolve-nos, adocicando-nos os sentidos.
Fecho os olhos e sinto as suas cores, fundindo-se numa paleta de aromas…
Inebriado pela vida, começo a sentir…
Lentamente o teu aroma invade-me, dominando-nos.
Memorias da tua tez, dos teus cabelos, dos teus lábios…
Sinto a tua presença, o teu calor…
Estás aqui!
Abro os olhos e chove.
Lágrimas…
Mãe
Mãe.
Nasceu o sol e tu com ele, brilhando a seu lado aumentando o seu calor.
Lentamente observo o crescimento do teu ser, resplandecendo de energia e amor.
Observo-o crescer. Crescer em outro ser. Crescer da fusão em união.
Crecer amado e brilhante, sentindo o teu calor a protege-lo, aquece-lo, dando-lhe forma…
O teu calor cresce, amadurecendo o teu amor, espalhando-o pelos que te rodeiam.
Brilhas, brilhas intensamente, guiando-me no meu caminho, orientando o meu ser, fazendo-me crescer.
Como o sol lá no alto, o teu brilho deu-nos mais, brilhou tão intensamente que dele outro ser criou.
Pequeno, frágil, amado… tambem a ele lhe deste a tua dádiva, fazendo-o crescer, brilhar, amar.
Sentimos o teu calor, a tua luz, guiando-nos, fazendo-nos maiores. Luz.
Luz dessa chama que te consome, que te dá esse calor que espalhas, que nos aquece o coracao.
Vejo-te ainda a brilhar tão intensamente como no dia em que nasceste e espalhando esse manto de luz para nos proteger.
Luz. A luz certa comeca a tremer… Tremer o seu manto.
Nós a quem tanto nos aqueceste, observamos… Notamos a chama termula… E sem exitar estendemos o nosso manto,
tambem este teu, para completar a tua chama.
E ela brilha novamente plena, plena de forca e calor, estendendo o seu calor, tocando-nos, abraçando-nos…
Observamos todo o seu explendor, brilhando sempre mais…
Obrigado!
Mãe.
Manhã.
Ao invadir o teu quarto, a luz da manha espalha seu manto pelo teu corpo, iluminando o teu rosto, os teus lábios
Esta estende lentamente o seu domínio, brincando com as sombras, iluminando o preguiçosamente o teu corpo…
O pescoço, o ombro… e vejo uma gota brilhar.
Lentamente aproximo-me dele, beijo-o, saboreando a tua doce ternura…
Contorces-te preguiçosamente, entreabrindo lentamente os lábios… balbucias algo, e sorris.
Agora toda a magia da luz matinal envolve já o teu corpo, fazendo-o resplandecer.
É agora a minha vez de sonhar…
Só…
Com o raiar do dia desperto os meus sentimentos,
lentamente entreabro os olhos, deixando entrar a manha…
Esta ilumina languidamente os teus contornos,
revelando os teus segredos, expondo a minha paixão.
E naquele breve instante eu sei… Sei porque estou ali.
Estico preguiçosamente o braço, sentindo-te… Sentindo-me.
Sinto o teu ser iluminar o meu, completando-o.
Sinto-os unirem-se, comungando a alma.
Abro os olhos e vejo-te. Vejo-me…
E toda a eternidade nesse breve instante.
Eu sei…
Crepusculo
Acordo vagarosamente observando a luz da manha invadir o teu quarto, espalhando o seu esplendor…
Brincando com as sobras, ela preguiçosamente estende o seu domínio, revelando-me o teu corpo.
Pescoço, ombro, seio…
E emergindo das sombras, contemplo uma gota de suor a brilhar.
Aproximo-me lentamente e beijo-a, saboreando a tua doce ternura.
Contorces-te languidamente, entreabrindo os lábios…
Inspiras e sorris.
Neste momento toda a magia da luz matinal envolve já o teu corpo, fazendo-o resplandecer…
É agora a minha vez de sonhar…