Humanidade…
Rebolo incessantemente na cama sem que lhe encontre posição.
Impacientemente sento-me, e observo a escuridão lá fora.
Levanto-me… Passadas rápidas precipitam-me para a janela, procurando…
Procuro uma razão lógica para tudo, tentando fazer nexo da realidade.
Abro os olhos, mas nem sempre pensamos… Dor…
O frio da noite dilacera os rasgos do vidro,
arrefecendo o sangue que se esvai juntamente com a minha sanidade.
Sinto a raiva aumentar, escuridão dá lugar à cegueira,
o punho cerrado expulsa os vidros.
Sinto-me estranhamente familiar, sinto-o tomando conta de mim.
Nada mais existe. Não o sangue a pingar, não a noite gélida, não a humanidade…
Apenas a dor, adormecendo os sentidos, despertando a raiva!
E eis que sinto, sinto os teus dedos nos meus cabelos, puxando-me para ti.
Olho-te nos olhos, não os vejo, não te vejo.
Sinto os teus lábios, o seu calor, este a ser sugado pela minha raiva, assustando-te, afastando-te…
Apenas dor, corrompendo.
Apenas dor, acordando.
Apenas dor…