Palavras.

Fevereiro 12, 2009 at 12:11 pm (Geral, Manha, Paixão, Saudade) (, , )

Nunca te disse.
Nunca te disse.
As palavras ficam sempre no caminho, presas num sargaço de emoções e receios.
Tento dizer-te…

O meu olhar grita para ti num pedido de auxilio, prendendo as lágrimas nas garras do orgulho.
Olho para ti e vejo-te…
Olha para ti e sinto-te…
Olho em redor e sinto o muro crescer, protegendo-me do resto, de ti.
Tento dizer-te…
Tenho que te dizer!

Tenho que te dizer.
Dizer que te adoro.
Que gosto do modo como me complementas, como os teu olhos sorriem na minha presença.
Que gosto de como idade não passa aos teus olhos, de como a idade não passa aos meus olhos.
Do toque da tua pele, do teu toque na minha pele.
Dos filhos que me deste, do filho que me vais dar.
De ti!

De como gosto de ti.
Gosto de ti.
De ti.

Apenas Palavras.

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Sentido – Cinco

Outubro 23, 2008 at 9:25 am (Paixão) (, , , )

O nevoeiro cobre o teu corpo, ocultando-te.
Sinto o irisar dos teus pelos nos meus lábios enquanto percorro o teu corpo quente.
Subindo vagarosamente, ilumino os teus sentidos.
O teu gosto toma conta de mim.
Domina-me.
Resisto!

Continuo o meu percurso, seguindo o meu desejo, o teu desejo…
Palavras quentes desenhadas pela língua, abrem caminhos esquecidos no tempo, recordando as minhas promessas.
Ao meu toque revelas-me o caminho, oferecendo-me o teu néctar…
Vejo gotas, qual orvalho oferecendo-se à manhã, estendendo-se no meu percurso.
Sigo-as.
Sorris.

Delicadamente acolho-as no meu palato, movendo a língua preguiçosamente na tua intimidade.
Deuses guerrearam por sabores inferiores.
Agarras-me o cabelo, puxando-me para ti.
Sinto-te.
Continuo-o o meu percurso sinuoso, saboreando todo o caminho.
Escuto ao longe um bater rápido de um coração apaixonado.
Rapidamente aproximo-me, paro!
Inebriado pelo seu som hipnótico, repouso no seu eco.
Resisto!

Num ultimo sopro de paixão, navego até aos teus lábios.
Apaixonadamente amo-os, saboreando as tuas promessas, saboreando-te…
Perco-me…
Dominas-me.
Rendo-me…

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Presente…

Agosto 25, 2008 at 11:58 pm (Noite, Paixão) (, , , )

Como todas as coisas, o dia chega ao fim.
Contemplando o ocaso, sinto o peso da vida esvoaçar para longe.
A brisa acaricia-me como um ultimo sopro e carrega-me no seu colo…
Tudo perde significado, tudo perde objectividade, tudo se perde…
O dia funde-se com a noite, o passado com o futuro, luz com a escuridão, apenas um, uno…

Uno…

Fomos e seremos, mas o presente ilude-nos, afastando-nos.
O brilho da centelha funde-se com a escuridão, reflectindo o vazio no teu olhar.
Ontem a chuva ensurdecia os nossos actos, tentando adiar o presente…
Mutuamente excluímos o passado e apagamos o futuro, juntos, uno…

Vazio.

Silencio sobrepõe palavras, lágrima sobrepõe raiva e o vazio sobrepõe…
Vejo as pessoas aproximarem-se, cada vez mais perto, sinto-as…
Fecho os olhos e a brisa murmura-me promessas.
E num breve instante tudo termina.
Não há mais som, luz, presente… Apenas vazio, uno…

Vazio.

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Memoria.

Abril 28, 2008 at 4:01 pm (Noite, Paixão, Saudade) (, , , )

Sentado na cadeira no quarto ouço a chuva acariciar as árvores.
A escuridão da noite rodeia-me, cegando-me para a realidade.

Relâmpago!
Um clarão de luz verte pela janela, revelando-te a mim.
Nunca te tinha observado enquanto dormias.
Por um breve momento vejo o teu corpo estendido, os lençóis negros de seda, o teu cabelo…
Este preguiçosamente cobre-te a face, o pescoço, escondendo os teus segredos do meu olhar.

Relâmpago!
Outro clarão, a luz reveladora.
Revelando a tua face, os teus lábios, a tua silhueta debaixo do lençol…
Observo-os abrirem sincronizadamente com a respiração preguiçosa do teu corpo, movimentando os lençóis, revelando-me as tuas promessas…
Aproximo-me de ti, deitando-me a teu lado.
Gentilmente, com as costas da mão, acaricio o teu rosto, o teu pescoço, o teu lado.

Relâmpago!
Vejo o seu reflexo nos teus olhos, chamando por mim.
O beijo, quando os meu lábios se juntam aos teus numa promessa muda, trocando votos enquanto te aconchego junto a mim.
O lençol de seda desliza lentamente pelo teu corpo, tentando-me…
Sigo o seu rasto com os meus lábios, desenhando os seus contornos sinuosos com a ponta da minha língua. O teu pescoço, o teu seio, a tua barriga, as tuas coxas…
Gemes…

Trovão!
Os meus sentidos acordam!
Sentado na cadeira no quarto.
Tu não estás aqui…

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Nocturnal Light

Março 23, 2008 at 12:19 pm (Noite, Paixão, Saudade) (, , , , , )

O dia esvanece, levando consigo o último raio de luz, trazendo as sombras esguias.
Tento manter-te no meu olhar, mas a escuridão rouba-te de mim…
Grito… Por ti, acordando a lua do seu repouso.
Lentamente esta espalha o seu manto ofuscante sobre as tuas sombras, devolvendo-te ao meu olhar, retornando ternura à minha alma…

A sua luz cobre a minha tentação, revelando o teu desejo…
Lentamente deslizo a minha mão pelos teus pés, seguindo as tuas coxas, encontrando tuas costas…
A sua luz acompanha os meus movimentos como se dançasse comigo… Dançando para ti…

Acaricio-te lentamente o rosto, despertando os teus olhos…
Observo o luar iluminando-os, lentamente revelando-me a tua alma…
Doce e amarga… Alguma tristeza, uma lágrima… Deslizando no teu rosto…
Aproximo-me, toco os teus lábios… Passo os meus dedos por eles, lendo as suas palavras…

Sinto a tua inquietação… E abraço-te firmemente, trazendo-te para perto de mim, envolvendo-te, sonhando-te…
E caindo nos teus braços, sinto a luz da lua afastar-se devolvendo-nos às sombras…

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Gosto…

Julho 7, 2007 at 10:37 pm (Paixão) (, , , )

Gosto dos teu olhos.
Da maneira como emanam ternura, de como demonstram uma tristeza melancólica, de como se riem com a tua alma.
Gosto dos teus lábios.
Pelas promessas inaudíveis, pronunciadas entre as palavras…
Gosto do teu pescoço.
De sentir a minha respiração nele, de sentir o teu calor, de o sentir nos meus lábios…
Gosto dos teus seios.
Do modo como se encaixam nas minhas mãos quando te abraço, sentindo o calor do teu corpo, do modo como ficam entre os meus dedos permitindo-me ler o teu coração.
Gosto do teu ventre.
E de como a minha palma desliza por ele lentamente enquanto murmuro o teu nome junto ao pescoço, das suas saliências nas tuas ancas desenhando a mulher.
Gosto das tuas costas.
E do seu fundo… a sua textura nas pontas dos meus dedos quando as acaricio.
Gosto das tuas nádegas.
Do seu sentido, da maneira como os meus lábios as percorrem e desenham a paixão.
Gosto dos teus pés.
Da maneira com completam a tua silhueta, de como deslizam nas minhas mãos, do modo como se mexem à passagem da minha língua.
Gosto das tuas pernas.
Do modo como se estendem, fazendo-me sonhar…
Gosto das tuas coxas.
Do seu toque nos meus dedos, do modo como me alertam os sentidos, e de como se afastam lentamente ao toque do desejo…
Gosto de as percorrer com os meus lábios, desenhando as promessas com o meu desejo, sentido o teu…
Gosto do teu aroma.
Inebriante, adormecendo os meus sentidos…
Apenas sentindo…
Apenas desejando…

Sinto o teu gosto, fazendo-o lentamente…
Levando-te as promessas, entregando-te o domínio, saboreando o intimo de ti… do teu ser…
A tua respiração fica mais rápida… os teus dedos encontram a minhas mãos, passando o teu calor…
Partilhando-o…

Gosto…

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Sombras…

Julho 7, 2007 at 6:56 pm (Noite, Paixão) (, , , , )

Acordei…
Olhando para o teu lado, descubro-as…
Observo-as movimentarem-se timidamente sobre o teu corpo, brincando com ele…
Vejo-as ocultarem a luz, definindo detalhes, revelando beleza.
Aproximo-me…
Toco suavemente o teu rosto, percorro os teus lábios, desenho um sorriso.
Sinto as tuas costas…
Nelas deslizo os dedos, alternando a luz, iluminando as sombras…
Crio detalhes.
Sinto-te…

Lentamente aproximo o meu rosto e sinto o teu calor.
Partilho a minha respiração, afagas-me o cabelo, guiando-me nos teus lábios.
Lentamente percorro-os com a língua, sentindo os teus desejos.
Recebo as tuas promessas, partilhando as minhas.
Sinto-te…

Envolvo o teu corpo abraçando-o por trás…
Beijo suavemente a tua orelha…, o teu pescoço…, a tua nuca…
Preencho o teu seio com a minha mão, deslizando-a lentamente…
Em uníssono com o teu corpo, movimento suavemente os meus dedos no teu ventre, descrevendo os meus sentimentos…
Sinto-te…

O sol desponta no horizonte…
De olhos entreabertos vemos as sombras a movimentarem-se languidamente pelos nossos corpos, fugindo da luz…
Banhados então por esta, aquecemos…
Esquecemos…

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