Sentido – Cinco
O nevoeiro cobre o teu corpo, ocultando-te.
Sinto o irisar dos teus pelos nos meus lábios enquanto percorro o teu corpo quente.
Subindo vagarosamente, ilumino os teus sentidos.
O teu gosto toma conta de mim.
Domina-me.
Resisto!
Continuo o meu percurso, seguindo o meu desejo, o teu desejo…
Palavras quentes desenhadas pela língua, abrem caminhos esquecidos no tempo, recordando as minhas promessas.
Ao meu toque revelas-me o caminho, oferecendo-me o teu néctar…
Vejo gotas, qual orvalho oferecendo-se à manhã, estendendo-se no meu percurso.
Sigo-as.
Sorris.
Delicadamente acolho-as no meu palato, movendo a língua preguiçosamente na tua intimidade.
Deuses guerrearam por sabores inferiores.
Agarras-me o cabelo, puxando-me para ti.
Sinto-te.
Continuo-o o meu percurso sinuoso, saboreando todo o caminho.
Escuto ao longe um bater rápido de um coração apaixonado.
Rapidamente aproximo-me, paro!
Inebriado pelo seu som hipnótico, repouso no seu eco.
Resisto!
Num ultimo sopro de paixão, navego até aos teus lábios.
Apaixonadamente amo-os, saboreando as tuas promessas, saboreando-te…
Perco-me…
Dominas-me.
Rendo-me…
Sentido – Três
A noite irrompe num turbilhão de sons eclipsando o dia, esvanecendo-o.
Esvoaçando por entre a sinfonia de caos, o som cristalino da tua voz restaura a ordem aos meus sentidos.
Partilhas comigo palavras de desejo, de paixão, do futuro…
Respondo, mas esta funde-se na sinfonia, abafando as minhas promessas.
Como choques entre galáxias, o fogo de artificio sobrepõe o caos, envolvendo-o num aperto fatal, restaurando a ordem.
A paixão da sinfonia dá lugar ao respeito do silencio.
A noite é una.
O som cristalino da tua voz rasga o seu tecido, pendendo-me à sua teia, seduzindo-me qual Tágide.
A teia completa o seu abraço.
Sinto os teus lábios silenciarem os meus gestos, soterrando a minha suplica.
Uma lágrima.
Um aperto.
… Sou teu.
Sentido – Um
A escuridão absorve-me, abraçando-me, estendendo-me ao infinito.
Violentamente um relâmpago alvo estilhaça-me os sentidos, cegando-me.
Nessa infinita fracção de segundo vejo-te…
Choras.
A escuridão absorve-me de volta.
Observo desesperadamente o meu redor em busca de uma presença, de uma centelha, de ti…
Relâmpago!
Sentada na cama a olhar para mim, observas-me.
Vejo o vermelho nos teus olhos…
Cor.
Escuridão.
Relâmpago!
Vermelho.
Os teus olhos.
Lágrima…
Escuridão!
De volta, os sentidos moldam a realidade.
Lembro-me…
De ti, de nós, do relâmpago.
Escuridão.
Lembro-me…
Choro.
Presente…
Como todas as coisas, o dia chega ao fim.
Contemplando o ocaso, sinto o peso da vida esvoaçar para longe.
A brisa acaricia-me como um ultimo sopro e carrega-me no seu colo…
Tudo perde significado, tudo perde objectividade, tudo se perde…
O dia funde-se com a noite, o passado com o futuro, luz com a escuridão, apenas um, uno…
Uno…
Fomos e seremos, mas o presente ilude-nos, afastando-nos.
O brilho da centelha funde-se com a escuridão, reflectindo o vazio no teu olhar.
Ontem a chuva ensurdecia os nossos actos, tentando adiar o presente…
Mutuamente excluímos o passado e apagamos o futuro, juntos, uno…
Vazio.
Silencio sobrepõe palavras, lágrima sobrepõe raiva e o vazio sobrepõe…
Vejo as pessoas aproximarem-se, cada vez mais perto, sinto-as…
Fecho os olhos e a brisa murmura-me promessas.
E num breve instante tudo termina.
Não há mais som, luz, presente… Apenas vazio, uno…
Vazio.
Memoria.
Sentado na cadeira no quarto ouço a chuva acariciar as árvores.
A escuridão da noite rodeia-me, cegando-me para a realidade.
Relâmpago!
Um clarão de luz verte pela janela, revelando-te a mim.
Nunca te tinha observado enquanto dormias.
Por um breve momento vejo o teu corpo estendido, os lençóis negros de seda, o teu cabelo…
Este preguiçosamente cobre-te a face, o pescoço, escondendo os teus segredos do meu olhar.
Relâmpago!
Outro clarão, a luz reveladora.
Revelando a tua face, os teus lábios, a tua silhueta debaixo do lençol…
Observo-os abrirem sincronizadamente com a respiração preguiçosa do teu corpo, movimentando os lençóis, revelando-me as tuas promessas…
Aproximo-me de ti, deitando-me a teu lado.
Gentilmente, com as costas da mão, acaricio o teu rosto, o teu pescoço, o teu lado.
Relâmpago!
Vejo o seu reflexo nos teus olhos, chamando por mim.
O beijo, quando os meu lábios se juntam aos teus numa promessa muda, trocando votos enquanto te aconchego junto a mim.
O lençol de seda desliza lentamente pelo teu corpo, tentando-me…
Sigo o seu rasto com os meus lábios, desenhando os seus contornos sinuosos com a ponta da minha língua. O teu pescoço, o teu seio, a tua barriga, as tuas coxas…
Gemes…
Trovão!
Os meus sentidos acordam!
Sentado na cadeira no quarto.
Tu não estás aqui…
Manhã.
Ao invadir o teu quarto, a luz da manha espalha seu manto pelo teu corpo, iluminando o teu rosto, os teus lábios
Esta estende lentamente o seu domínio, brincando com as sombras, iluminando o preguiçosamente o teu corpo…
O pescoço, o ombro… e vejo uma gota brilhar.
Lentamente aproximo-me dele, beijo-o, saboreando a tua doce ternura…
Contorces-te preguiçosamente, entreabrindo lentamente os lábios… balbucias algo, e sorris.
Agora toda a magia da luz matinal envolve já o teu corpo, fazendo-o resplandecer.
É agora a minha vez de sonhar…
Nocturnal Light
O dia esvanece, levando consigo o último raio de luz, trazendo as sombras esguias.
Tento manter-te no meu olhar, mas a escuridão rouba-te de mim…
Grito… Por ti, acordando a lua do seu repouso.
Lentamente esta espalha o seu manto ofuscante sobre as tuas sombras, devolvendo-te ao meu olhar, retornando ternura à minha alma…
A sua luz cobre a minha tentação, revelando o teu desejo…
Lentamente deslizo a minha mão pelos teus pés, seguindo as tuas coxas, encontrando tuas costas…
A sua luz acompanha os meus movimentos como se dançasse comigo… Dançando para ti…
Acaricio-te lentamente o rosto, despertando os teus olhos…
Observo o luar iluminando-os, lentamente revelando-me a tua alma…
Doce e amarga… Alguma tristeza, uma lágrima… Deslizando no teu rosto…
Aproximo-me, toco os teus lábios… Passo os meus dedos por eles, lendo as suas palavras…
Sinto a tua inquietação… E abraço-te firmemente, trazendo-te para perto de mim, envolvendo-te, sonhando-te…
E caindo nos teus braços, sinto a luz da lua afastar-se devolvendo-nos às sombras…
Crepusculo
Acordo vagarosamente observando a luz da manha invadir o teu quarto, espalhando o seu esplendor…
Brincando com as sobras, ela preguiçosamente estende o seu domínio, revelando-me o teu corpo.
Pescoço, ombro, seio…
E emergindo das sombras, contemplo uma gota de suor a brilhar.
Aproximo-me lentamente e beijo-a, saboreando a tua doce ternura.
Contorces-te languidamente, entreabrindo os lábios…
Inspiras e sorris.
Neste momento toda a magia da luz matinal envolve já o teu corpo, fazendo-o resplandecer…
É agora a minha vez de sonhar…
Sombras…
Acordei…
Olhando para o teu lado, descubro-as…
Observo-as movimentarem-se timidamente sobre o teu corpo, brincando com ele…
Vejo-as ocultarem a luz, definindo detalhes, revelando beleza.
Aproximo-me…
Toco suavemente o teu rosto, percorro os teus lábios, desenho um sorriso.
Sinto as tuas costas…
Nelas deslizo os dedos, alternando a luz, iluminando as sombras…
Crio detalhes.
Sinto-te…
Lentamente aproximo o meu rosto e sinto o teu calor.
Partilho a minha respiração, afagas-me o cabelo, guiando-me nos teus lábios.
Lentamente percorro-os com a língua, sentindo os teus desejos.
Recebo as tuas promessas, partilhando as minhas.
Sinto-te…
Envolvo o teu corpo abraçando-o por trás…
Beijo suavemente a tua orelha…, o teu pescoço…, a tua nuca…
Preencho o teu seio com a minha mão, deslizando-a lentamente…
Em uníssono com o teu corpo, movimento suavemente os meus dedos no teu ventre, descrevendo os meus sentimentos…
Sinto-te…
O sol desponta no horizonte…
De olhos entreabertos vemos as sombras a movimentarem-se languidamente pelos nossos corpos, fugindo da luz…
Banhados então por esta, aquecemos…
Esquecemos…